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| Actividades do Centro Lusitano |

Tópicos
de reflexão
1. Perdão,
Reconciliação e Paz - análise sob diferentes
pontos de vista: etimológico, filosófico, ético
e religioso.
O significado
e o sentido destes termos vai muito para além de quaisquer
conotações ou interpretações (meramente)
religiosas ou moralistas que se lhes associem.
Como poderemos contribuir para a resolução
dos grandes conflitos e das guerras que alastram por todo o planeta?
Por que meios poderemos alcançar a paz e quais os caminhos
que cada um de nós precisa de percorrer - individual e grupalmente?
De quem depende a paz? Apenas dos governantes? Por que razão,
às vezes, constatamos o aumento de popularidade dos dirigentes
em consequência de declarações de guerra?
A paz não é equivalente nem se reduz a ausência
de conflito. A paz que resulta da repressão não é
uma verdadeira paz e mais cedo ou mais tarde poderá aflorar
à superfície com redobrada violência.
O Perdão e a Reconciliação são
meios fundamentais para alcançar a Paz, em si mesma um objectivo
a atingir. Trata-se da Reconciliação de cada ser humano
consigo mesmo, com os seus semelhantes, com outras formas de vida
e, em geral, com a Natureza; Reconciliação entre gerações
e entre grupos; entre diferentes facções políticas
e clubísticas; entre culturas, povos, etnias e nações;
entre religiões e doutrinas filosóficas ...
Perdoar e reconciliar não implica o abdicar de convicções
próprias; antes salienta o valor da diversidade no propósito
comum de construir um mundo mais justo, fraterno e solidário.
"Só o Perdão tem o poder de nos libertar
das dolorosas amarras do ressentimento e de nos devolver o equilíbrio
e a paz interior" (Tierno, 1998, p.105)
"Não haverá paz na Terra enquanto não
houver Perdão. Não haverá paz na Terra enquanto
não houver paz nos corações, em todos os corações"
(CLUC, 1995, p. 132-133).
2. Enquadrar a importância da Educação para
o Perdão e para a Paz, no desenvolvimento da criança,
do adolescente e do jovem.
Qualquer ser humano,
desde a mais tenra idade, confronta-se não só com
aquilo que faz correctamente, com o que lhe dá prazer, o
alegra, agrada ou satisfaz mas, também, com os erros que
vai cometendo e com (quem ou) o que o desilude, causa tristeza,
medo ou dor (física e/ou psicológica). É vital
fomentar-se um bom ambiente de aprendizagem, que auxilie a criança,
o adolescente ou o jovem, tanto quanto possível, numa via
de auto-descoberta (com a orientação do adulto), percebendo
que tudo faz parte do seu percurso.
A adolescência corresponde a um período de grandes
transformações que, idealmente, permitem à
criança tornar-se num adulto sensato, equilibrado e responsável.
A conquista de uma identidade pessoal e, para além disso,
de uma autonomia (relativamente aos pais e/ou educadores), são
objectivos fundamentais no percurso de qualquer adolescente. De
que forma a compreensão do erro e do perdão, e o anseio
pela paz, são primordiais na percepção e apreensão
de valores (basilares na sua personalidade) e nos processos de socialização
em que precisa de se envolver?
O processo de crescimento implica, necessariamente, a passagem
por várias situações em que o jovem é
confrontado com atitudes que considera injustas, arbitrárias
ou ofensivas. A fim de evitar traumas, situações de
revolta e o desenvolvimento de uma agressividade latente (susceptível
de explodir em determinadas circunstâncias), é de capital
importância que o jovem saiba conciliar a recusa de atitudes
que injustamente o magoaram com a compreensão relativamente
aos autores dessas injustiças; que um indispensável
processo de maturação e aprendizagem (que também
implica conhecer os lados menos bons da vida e do ser humanos) não
o marquem de forma patológica, levando-o a gerar ódios,
bloqueios, alienações ou situações de
não integração.
À medida que se vai volvendo desperto para o que se
passa no mundo, o jovem toma consciência de que existem conflitos,
ódios e guerras, um pouco por todo o lado. É importante
que, relativamente a esses factos, saiba situar-se além de
um unilateralismo primário, que o poderia levar a transferir
a culpa e o odioso somente para uma das partes, aprendendo a ponderar
e a compreender pontos de vista diferentes e, até, antagónicos.
Determinadas fases da juventude são caracterizadas
por uma vivência muito intensa, que tende a extremar emoções,
por vezes de forma menos desejável. Muitas vezes, no seio
da juventude, degladiam-se com alguma violência preferências
clubísticas, grupos étnicos, grupos de opção
por um conjunto de estilos ou de gostos e, até, grupos ocasionais.
Urge compreender que a imprescindível capacidade de integração
grupal, com toda a riqueza de experiências que proporciona,
não tem que implicar estar contra - e muito menos detestar
- outros grupos.
3. Como podem a Escola e os professores intervir no desenvolvimento
psicossociológico de cada jovem?
A Escola tem,
para além do papel de instruir, as funções
de educar e socializar. Hoje em dia, muitas crianças e adolescentes
passam mais tempo na Escola do que em casa ou junto dos pais (e
restantes familiares).
"A escola já não é apenas um local de
instrução. A pouco e pouco, a família delegou
no sistema escolar muitas das funções educativas e
hoje, quer se queira quer não, a sala de aula é, para
muitos, uma última oportunidade de interiorizar regras e
de criar um conjunto de valores essenciais à vida" (Sampaio,
1997, p. 205-206).
O sistema de ensino actual incute nos estudantes uma crescente
competição. Urge encontrar outras metodologias de
trabalho, outras formas de interagir com os alunos, outras formas
de avaliação, de modo a promover a cooperação
e entreajuda.
A Escola deve também ter como desígnio a Educação
para a Paz, como bem essencial e porventura mais importante do que
muitos conhecimentos técnicos que pode transmitir.
Actualmente, nas Escolas, cruzam-se crianças e jovens
das mais variadas origens sociais e culturais. O seu relacionamento
nem sempre é fácil ou pacífico. Não
teremos o dever de contribuir para que se aceitem - e jamais se
ridicularizem - opções de estilos e modos de vestuário,
hábitos e preceitos religiosos, opções de regimes
alimentares, diferentes tipos étnicos, etc?
Para que a Escola possa cumprir as suas funções,
professores, auxiliares de acção educativa, alunos,
pais e autarquias locais devem actuar coordenada e conjuntamente,
educando para uma cidadania consciente e solidária.
Algumas
Sugestões Bibliográficas:
Agusti,
Maria (1997) - Necessidade actual de Educação
para a Paz, De aqui e de além, nº 12 e 13, Lisboa:
CLUC e Barcelona: Instituto Pedagógico de Síntesis.
GEPPUR (1997) - Programa de Educação para a Paz
e Responsabilidade Universal, De aqui e de além, nº
12 e 13, Lisboa: CLUC e Barcelona: Instituto Pedagógico
de Síntesis.
Malik, Leonor (1988) - Os Castradores do Reino, Lisboa: Livros
Horizonte.
Pommereau, Xavier (1998) - Quando o adolescente se sente mal
é preciso ouvi-lo, compreendê-lo, amá-lo,
Lisboa: Terramar.
Russel, Bertrand (1982) - Educação e Sociedade,
Lisboa: Livros Horizonte.
Sagan, Carl (1997) - Biliões e biliões, Lisboa:
Gradiva.
Sampaio, Daniel (1993) - Vozes e Ruídos, Lisboa: Caminho.
Sampaio, Daniel (1996) - Inventem-se novos Pais, Lisboa: Caminho.
Sampaio, Daniel (1996) - Voltei à Escola, Lisboa: Caminho.
Sampaio, Daniel (1997) - A Cinza do Tempo, Lisboa: Caminho.
Santos, João (1991) - Ensaios sobre Educação
- I e II, Lisboa: Livros Horizonte.
Silva, Agostinho (1996) - Educação de Portugal,
Porto: Ulmeiro (original de 1970).
Strecht, Pedro (1998) - Crescer Vazio, Lisboa: Assírio
& Alvim.
Tierno, Bernabé (1998) - Aprenda a Viver, Lisboa: Presença.
UNESCO (1996) - Educação: Um Tesouro a Descobrir,
Comissão Internacional sobre a Educação
para o Século XXI, Edições ASA.
Wall, W. (1975) - Educação Construtiva para Crianças
- I e II, Lisboa: Livros Horizonte.
Wall, W. (1983) - Educação Construtiva para Adolescentes
- I e II, Lisboa: Livros Horizonte. |
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